Intercâmbio de férias é nova aposta de RCI e Odebrecht

Sistema permite que viajante adquira fração de casa ou apartamento para suas férias, ou ainda lote de semanas em hotéis; atividade cresce 50% ao ano no Brasil

Por: Alex Ricciardi / Camila Abud

São Paulo

O intercâmbio de férias, também conhecido como timeshare, ou seja, a compra fracionada de um empreendimento para nele ficar hospedado durante certo período, movimentou, em todo o planeta, US$ 13 bilhões  ano passado, e enquanto a atividade se expande 10% ao ano no resto do mundo, chega a ser de 50% a 60% ao ano no Brasil. Por conta disso, há gente grande trabalhando neste segmento: no momento, empresas como a Odebrecht Realizações Imobiliárias ampliam sua atuação neste mercado. A Odebrecht, no caso, está erguendo em Costa do Sauípe (BA) o Quintas Private Residences neste modelo de negócios, por acreditar ter encontrado mais um filão no País.

Dona de 70% deste mercado de timeshare, globalmente, e há 20 anos no País,  a RCI tem cerca de 4.600 hotéis e estabelecimentos similares a ela afiliados no mundo, dos quais 113 no Brasil. De acordo com a empresa, o negócio do timeshare é simples: pode-se ter uma propriedade compartilhada (quando a companhia ergue residências de férias na praia ou na montanha e vende frações delas a diferentes compradores, tendo cada um  o direito de usufruir da mesma durante algumas semanas do ano) ou então tempo compartilhado. Há, ainda, a chance de trocar seu período comprado em um hotel por outro, ou seu direito a usar a habitação que possui em regime de partilha pelo de outra pessoa, em local diferente — pode-se trocar férias em Fernando de Noronha (PE) por uma estadia na Itália, por exemplo.

Para comercializar tais períodos de hospedagem, a RCI organizará entre 9 e 10 de agosto, no Hotel Intercontinental, na capital paulista, a feira South American Shared Ownership Investment Conference 2011 (Sasoic 2011), em conjunto com a consultoria HVS. A edição anterior do evento foi no Rio de Janeiro e gerou cinco novos contratos à RCI, além de R$ 30 milhões em negócios. A companhia espera que a versão deste ano renda-lhe mais 6 contratos e R$ 45 milhões.

Suíça

O timeshare surgiu a décadas atrás na Europa (mais especificamente, na Suíça) mas foi nos EUA que vingou com mais força. É considerado imune a crises, pois é justamente quando falta dinheiro que as pessoas se mostram mais dispostas a comprar, por exemplo, apenas uma parte de um imóvel de veraneio ao invés do imóvel inteiro — o que, obviamente, sairia muito mais caro.

“Trabalhar com férias compartilhadas tem quatro grandes vantagens às redes de hotéis”, explica Fernando Sanches, consultor em meios de hospedagem: “Pagamento adiantado do serviço, o que capitaliza a empresa; incentivo à fidelização do cliente; minimização do problema da sazonalidade, um dos mais graves da atividade hoteleira; e aumento do uso dos serviços e aparelhos do estabelecimento pelos hóspedes, pois estes tendem a permanecer mais tempo no hotel e aproveitar todo o período que compraram”.

Alejandro Moreno, diretor-geral da RCI nacional, fala das características do mercado local da atividade: “O Brasil é responsável hoje por 30% do segmento de férias compartilhadas na América Latina. Um dado interessante é que um dos estados onde mais temos afiliados é Goiás — os parques aquáticos daquele estado trabalham intensamente com férias compartilhadas. Perto de 35% do setor nacional da atividade estão em Goiás”. Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas e Rio de Janeiro completam a lista de mercados mais fortes do País no segmento. A RCI atua em 19 estados brasileiros. Ela não constrói hotéis, nem nada do gênero (isto fica a cargo de companhias como a Odebrecht), apenas comercializa períodos de férias e frações de imóveis. Segundo Alejandro, 60% de seus associados locais usam este  sistema para ir ao exterior, e os restantes 40% fazem viagens internas. “O positivo é que a ida destes 60% de brasileiros para fora do País abre, automaticamente, 60% de vagas para estrangeiros visitarem o Brasil, fortalecendo o turismo por aqui”.

Olimpíadas

O presidente da HVS Argentina, Arturo Garcia Rosa, que está no Brasil para organizar a Sasoic 2011, observa que os grandes eventos que o País acolherá brevemente (Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas em 2016), devem dar fôlego às férias compartilhadas. “As pessoas estão se deslocando muito no Brasil, tanto internamente como para o exterior, e os grandes eventos esportivos vão estimular naturalmente este movimento”. A RCI espera, por ocasião do evento em agosto, agregar mais 30.000 famílias a seu quadro de associados. Na Sasoic 2010, foram conquistadas 22.000 novas famílias  pela companhia.

Moreno revela, no entanto, que o sistema no Brasil demorou mais a se consolidar do que em outros países. “Timeshare e propriedade compartilhada só dão certo em economias estáveis, onde as pessoas têm como planejar férias futuras. Este é justamente o caso do Brasil nos dias de hoje, felizmente”, finaliza ele.

Fonte: http://www.panoramabrasil.com.br/intercambio-de-ferias-e-nova-aposta-de-rci-e-odebrecht-id66718.html# – 19/07/2011 – 17:42 hrs.

 

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